10.02.2011

By Tony Waltham


Apesar da beleza quase sufocante das flores das amendoeiras e das magnólias, não consigo deixar de sentir que é tempo de revirar a terra.
Como se o meu relógio interior não estivesse a bater certo com a vontade da natureza.

Quando tudo parece ter agora o seu início, ou o florescer do seu fim, sinto que me encontro no meio, a olhar para as coisas que tinha nos bolsos, e que disponho agora nas mãos, para as ver melhor sob a luz quente de Inverno. Observo-as atentamente estranhando a sua imaterialidade. Não me pertencem, não sei tocar-lhes, mas desajeitadamente (talvez), permanecem pousadas sobre as minhas palmas.

Daí sentir que é necessário revolver a terra. Deixar que respire um pouco, para que o folgo não lhe falte quando sentir que precisa de dar frutos.

Nessa altura saberei que as estações mudaram.




"teu corpo é um arco sobre o tempo
onde o fulgor do silêncio se demora

por isso

se o ofício é vão e imperfeita a idade
a palavra que me habita é onde eu moro
e essa habitação depura em mim
a explicação de toda a liberdade"

Embora seja noite, de Luís Soares Barbosa

29.01.2010

Egon Schiele


"Desfolhamos no Outono, mas somos de morrer na Primavera"

A neblina cobriu os montes em luto.
Mas a luz não deixou de queimar o teu rosto, por entre a brisa fria que te gelava os ossos.
Imóveis, as oliveiras manterão as suas folhas verdes.

Somos de morrer, não somos para morrer.




"Sur le fil" de Yann Tiersen

23.01.2011


Lembraste?








Por fim tenho um tempo para respirar. Os meus dias dão, por fim, espaço. Reencontrei velhos amigos e conheci novos. Fui à oração de Taizé, pela primeira vez, e recordei as orações nos retiros em Viana do Castelo. Pelo caminho ouvia com o Juca a banda sonora, do filme "The Prince of Egypt", de Hans Zimmer.
Durante a reunião do Caminho lembramos as pequenas coisas que nos enchem e que dão sentido à vida, uma vida cheia de luz e graça. Tudo o mais não se sabe dizer.


"The Burning Bush" - The Prince of Egypt

15.01.2011

Fachada da Igreja Matriz de Caminha
Fotografia: Patrícia Monteiro


[Deixei que o meu quarto ganhasse o sentido dos lugares fechados. Habitei-o obstinadamente, transformei-o numa gruta rude e desabitada.
Hoje mudei-lhe as vestes e lavei-lhe o rosto. Arrumei-me desajeitadamente. Peguei no casaco e saí, mais uma vez. Abandonei a minha gruta com desapego.
Voltei desorientada ao seu encontro, como quem procura um túmulo provisório para morrer.]



Escrevi estas palavras em género de esboço no canto do meu caderno à algumas semanas atrás.
Os dias corriam densos, e de facto não os sentia. Uma espécie de existência entorpecida, um sonhar lúcido.

Ontem terminaram os exames e trabalhos. Por fim respiro na minha gruta.


Regresso de Moledo com a imagem do mar revolto na minha mente, e a tranquilidade no meu espírito.


Amanhã reencontrar-nos-emos em mais um fim de tarde com Cristo, às 17 horas na Igreja de Fradelos.

14.12.2010

Fotografia de Patrícia Monteiro


"(...) é o Universo, para o pensamento moderno, uma trágica e alucinante «Maratona da Morte» em que acorrem para o sorvedouro, atropelando-se na fuga, as folhas outonais da Planta, cabeças rolantes de Orfeus, impotentes remorsos da Aglaonice, cabeleiras de Ofélias, cinzas de cometas, brasidos extintos de Sírios, algidez amortecida de luas, estrangulados gritos de adeus..."

"S. Francisco de Assis visão franciscana da vida" de Leonardo Coimbra





Nunca. Por certo, uma maratona de vida!

7.12.2010

video

Por estes dias conheci, a pessoa e a música, de Francisco Rua.

Estudo História da Talha, enquanto os raios de luz rompem o céu num grito de glória. E como não podia deixar de ser, ouço "Song for Dennis" (de Francisco Rua).

Tenho reunido aos poucos fragmentos para os trabalhos que terei de entregar.

Leio e degusto "A Sociedade Medieval Portuguesa - Aspectos de vida quotidiana" de A. H. de Oliveira Marques, que se tem revelado fundamental na minha tentativa de compreender aspectos da vida na Idade Média, em concreto a morte. Mas antes de chegar a ela terei de entender o ensino, a cultura, a vivência e as crenças da época.

Correndo o risco de soar mórbida, tenho vindo a ganhar interesse em explorar a relação do Homem com a morte. Destaco também outras obras: "Religião e Simbólica - O sonho da escada de Jacob" de Geraldo José Dias, "O Homem e a Morte" de Edgar Morin e "Sobre a História da Morte no Ocidente desde a Idade Média" de Philippe Ariés.